quarta-feira, 1 de julho de 2009



Deixo esvair o sonho,
Vazar como uma maré.
Nas noites sem sono
Sem ninguém ao pé.

Velório da ilusão,
Manta de retalhos.
Utopia sem razão
“Carga de trabalhos”.

Sonhar é abstracção
É estar aquém do que é
Desperto na desilusão
Longe de mim e da fé.

É estar adormecido
Despertar de paradigma,
É ser espancado sem sentido
Pela mente em seu enigma.

De manha ao acordar
Pensei ter despertado,
Mas sonhei a vida a passar
Ao largo, sem ter ao meu lado.

Acordei e não te vi, insisti
Buscando quem já não estava,
Chamei e procurei por ti,
Mas junto a mim nada restava.

Nesse momento passional
Jurei assassinar o sonho,
Pleno de uma paixão ocasional
Senti-me num pesadelo medonho.

Mergulhei no conceito do ser,
Do ter “o pão de cada dia”,
Deixar a gratidão permanecer
E ir vivendo sem ter a mania.

Álvaro Guilherme
30 Junho 2009

terça-feira, 30 de junho de 2009

Decididamente o meu grande desafio é vencer-me a mim mesmo, superar os meus limites espirituais e encontrar a fonte de força e poder que reside em tudo e do qual eu sou parte.
Sinto que eu sou aquele que me derrota mais vezes, perante os desafios que me coloco e enquanto lido com as minhas dificuldades e virtudes. Vejo que o facto de me envolver emocionalmente e sentimentalmente com o que me rodeia, não me deixa passar superficialmente pela vida e circunstâncias. Sou um animal de sentir! Muitas vezes fico vulnerável e exposto, mas não tenho receio de me expor nas minhas fragilidades, claro, salvaguardando com inteligência a minha integridade humana e a vida. Sempre!
Quando me reservo e pareço distante e secreto, não é mais que a minha armadura e sempre que me defendo com a minha solidão é como se dissesse que a minha espada está pronta a ser desembainhada e que estou disposto a honrar aquilo em que acredito.
Por vezes penso se não seria mais fácil competir com os outros, como é consensual e até normal, mas a força que me impele é a de comprovar o meu Amor por tudo e por isso devo querer ser maior que eu mesmo. Sei que estou muito aquém daquilo que considero a perfeição, desse Amor Pleno de Compaixão, dádiva e gratidão. Mas, faço-me o meu único caminho, sabendo que não tenho outro a percorrer e nessa certeza, procuro dançar a minha dança da vida, existindo assim com quem apenas sabe sentir e ampliando ou expandindo o sentir à emoção do ser.
Nem sempre me consigo Amar, mas a diferença reside em querer Amar. Como se algo dentro de mim soubesse que somente existo para Amar. Come se sentisse que a consciência é esse Amor e certo da sua presença em tudo, conseguisse alcançar como uma facilidade de que concorda com a vida, tudo o que esta reservou para mim.
Sinto que se for receptivo e sensitivo à vontade da minha realização no todo, terei a possibilidade de experimentar o culminar de mim em toda a beleza que me é possível. O meu único deslumbre é a realização do auto conhecimento e essa é a minha demanda em todos os instantes da minha vontade, mesmo quando me vou abaixo e pareço querer desistir é porque Amo a força da esperança e o poder revelador da fé a destapar os véus do mistério que transmuta tudo em virtude.

Álvaro Guilherme
30 Junho 2009

segunda-feira, 29 de junho de 2009

O poeta volta sempre ao seu estado embrionário.

AMO TODAS AS MÃES DO MUNDO




SAVE THE PLANET EARTH,
SAVE YOUR MOTHER.


O nascimento é equidistante à morte,
Na vida são como gémeos da mesma mãe.
São hemisférios, são os dois equinócios no ano

Viver e como ser equador de pólos opostos
E ser Equânime em relação à vida e à morte,
Porque com equidade são equiparáveis mas equilibrados...

O
Pai
Filho
Espírito
Santo
Sou
Eu
O
Pai
Filho
Espírito
Santo
Sou
Eu
O
Pai
Filho
Espírito
Santo
Sou
Eu
O
Pai
Filho
Espírito
Santo
Sou
Eu
O
Pai
Filho
Espírito
Santo
Sou
Eu
O
Pai
Filho
Espírito
Santo
Sou
EQUI... Eu

Álvaro Guilherme
06 Março 2009


Considero a existência humana infinitamente solitária. Por mais que se busque e companhia do “outro”, por mais que essa proximidade se espelhe realista está sempre longe demais para o nascer e morrer. Longe da génese da vida, do embrião uno e do espírito que encarna único, intocável e inalcançável aos demais.
O Ser é na sua essência total, unificado e imortal. Um ciclo de infinita incomensurabilidade.
Mas no entanto há um sonho mais terno de cumplicidades e companheirismo no caminho da vida, há uma demanda de Amor em busca de si realizado no outro. Esta dualidade inerente a natureza do mundo, esta polaridade é fecunda e não descansa dentro do espaço-tempo, que na verdade é momento, mutação e ciclo. Enfim Vida,
no seu estado mais sagrado de devoção à existência.
Tudo é um culminar orgásmico, clímax da fertilidade da vontade maior de cada um de nós e este é o lugar onde o finito e o infinito se tocam, numa beleza transcendental.

Álvaro Guilherme
29 Junho 2009



Há pedaços de mim
Espalhados pelo chão
Do tempo.
Mas se o tempo existe,
Então eu sou o chão
Fértil...

E o rio que em mim flúi
É também estuário
E refugio migratório
Para o meu lado que voa,
Livre
Para lá do tempo...

E o ar é o espírito
Que sustêm o ser.
Único a existir,
Em tudo que respiro.
Vivo!

Só dentro do momento
Sobrevivo
E o tempo não é beleza,
Mas a ultima certeza
E única...

Álvaro Guilherme
13 Janeiro 2009








Vazio de poesia, sem vislumbre
Do meu eu mais lírico.
Ou será teimosia e penumbra
A esconder o meu lado mais clínico.

Canta a ironia e o costume
E o preguiçar empírico,
A tal mania de sombra
A aludir uma luz mais cínica.

Ai! Se eu pudesse seria Alhambra
Na Granada de mim implícito.
Sierra Nevada em Junho,
Cruz alta do meu suplicio.

Seria Sol e Andaluzia luzidia
Ao sol do meio-dia e sombra
Azul, nos caminhos fugidia.
A lua e a serra sobre o Alhambra.

Álvaro Guilherme
28 Junho 2009

terça-feira, 23 de junho de 2009

segunda-feira, 22 de junho de 2009

VESPERA DE...



Espreita a morte,
No sentido figurado.
Espreita a solidão
Corroída
Agigantada na sorte
De ser da alma mais
Que doída.
Olhar brilhante e forte
Chora a doida,
De compaixão ao norte
Como uma estrela caída.

Qual é o meu ponto cardeal,
Na minha noite eterna,
Onde só a luz ao fundo
Não tem mal.
Sou nessa noite
Uma lanterna
De alcance boreal.
Como uma mão fraterna.

Álvaro Guilherme

22 Junho 2009

domingo, 21 de junho de 2009



CATEDRAL DE SANTIAGO DE COMPOSTELA